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Investigação
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A infecção por helicobacter pylori é condição necessária para a ocorrência de cancro gástrico?
Instituição Financiadora: FCT - Fundação para a Ciência e a Tecnologia
Ref:PTDC/SAU-ESA/71517/2006
Investigador Principal: Nuno Lunet
Instituições Participantes: Serviço de Higiene e Epidemiologia, Faculdade de Medicina da Universidade do Porto. Unidade de Investigaçao e Desenvolvimento Cardiovascular do Porto
Data de início: 2008-07-01
Data de fim: 2009-06-30
Resumo:

A infecção com Helicobacter pylori afecta cerca de 50% da população adulta a nível mundial e está fortemente associada à ocorrência de cancro do estômago, estimando-se que 40% a 70% de todos os casos sejam atribuíveis à infecção, que se constitui como um importante alvo de estratégias preventivas.

Contudo, o papel da infecção na rede causal do cancro gástrico é ainda pouco claro. Por um lado, apesar da infecção ser muito prevalente, apenas uma pequena proporção dos indivíduos infectados desenvolvem neoplasias gástricas, não sendo ainda conhecido o peso relativo de factores relacionados com as características genéticas do hospedeiro e da bactéria e outras exposições ambientais na modulação da progressão até cancro e na explicação das diferenças na frequência de cancro gástrico entre regiões com elevada prevalência de infecção.

Por outro lado, em estudos que quantificam a associação entre infecção e cancro gástrico, cerca de 20% dos casos são seronegativos o que, apesar da infecção estar presente na maioria dos casos de metaplasia intestinal (lesão precursora do cancro), pode ser visto como um argumento contra a hipótese de que a infecção por H. pylori é uma condição necessária para a ocorrência de cancro gástrico.

Contudo, os casos em que não se observa infecção podem corresponder a tipos de cancro que de facto não dependem da presença da bactéria, como parece ser o caso dos cancros do cárdia, ou ser o resultado de má-classificação de cada indivíduo relativamente à infecção no momento do início da carcinogénese.

Com a progressão da doença os indivíduos com cancro gástrico tendem a apresentar atrofia da mucosa e metaplasia intestinal, o que conduz à eliminação da bactéria da mucosa gástrica e à consequente obtenção de resultados falsamente negativos quando é avaliada a história de infecção por serologia.

Esta última interpretação é ainda suportada pelo facto de se observarem associações mais fortes entre a ocorrência de cancro do estômago distal e infecção por H. pylori quando esta é avaliada através da detecção de anticorpos anti-Cag-A por immunobloting, um método mais sensível para a detecção de infecção a longo prazo.

Deste modo, poderá postular-se que a infecção com H. pylori estará presente em todos os casos de determinados tipos de cancro gástrico (e.g. cancros distais do tipo intestinal), e que os casos negativos resultarão da má-classificação de cada indivíduo relativamente à infecção ou ocorrerão em indivíduos com elevada susceptibilidade, pelas suas características genéticas ou de exposição a outros factores ambientais. De forma a avaliar o potencial papel da infecção por H. pylori como condição necessária para a ocorrência de tipos específicos de cancro gástrico, serão cumpridos os seguintes objectivos:

1) Revisão sistemática de estudos publicados que forneçam informação relativa à prevalência de infecção com H. pylori em casos de cancro gástrico, de forma a avaliar a variabilidade dos resultados com aspectos metodológicos (e.g. desenho do estudo, testes de diagnóstico), características dos tumores (e.g. topografia, tipo histológico, estádio) e populações avaliadas (e.g. país, meio hospitalar ou populacional, prevalência da infecção na população em geral);

2) Estudo caso-controlo (400 casos e 800 controlos) para quantificar o risco de cancro gástrico associado à infecção com H. pylori, avaliando a infecção pelos métodos de ELISA e de Western blot.

3) Comparação dos casos de cancro gástrico positivos e negativos para H. pylori (400 casos com estado relativamente à infecção definido por ELISA e por Western blot) relativamente às características do tumor (topografia, histologia, estádio, expressão do CDX2), susceptibilidade genética (polimorfismos pro-inflamatórios), e aspectos comportamentais (alimentação, consumo de tabaco) e sociodemográficos (idade, sexo, estatuto socioeconómico).

O tamanho da amostra foi calculado de forma conservadora de modo a permitir a detecção de diferenças na proporção de casos infectados correspondente a um odds ratio de pelo menos 4 (é esperada a identificação de características do tumor e do hospedeiro que se associem fortemente com a infecção) para a avaliação de exposições que estejam presentes em 10% dos indivíduos não-infectados, assumindo que aproximadamente 10% dos casos de cancro gástrico serão classificados como não infectados.

A quantificação da associação entre cancro gástrico e infecção com H. pylori utilizando métodos que permitem uma avaliação mais válida da história de infecção, especialmente nos casos, contribuirá para a obtenção de estimativas de risco mais exactas, permitindo a reavaliação das estimativas da proporção de casos atribuíveis à infecção e do peso relativo de outras exposições para a ocorrência de cancro.

Se a infecção com H. pylori for considerada uma condição necessária para a ocorrência de tipos específicos de cancro gástrico, a investigação acerca da etiologia destes tumores deverá ser reorientada no sentido da avaliação de factores que modulam a progressão para cancro nos indivíduos infectados.





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