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Detalhes Doutoramento realizado no ISPUP avalia desigualdades na prestação de cuidados de saúde materna em mães imigrantes

A investigadora Lígia Maria Moreira Ferreira de Almeida defendeu, no dia 30 de abril, sua dissertação de doutoramento intitulada Social Determinants of Health in Pregnancy: The Impact of Migration.

O trabalho desenvolvido visa estabelecer uma interface entre a Saúde Pública e a Medicina Social, centrando-se sobre a avaliação das desigualdades teóricas no acesso, utilização e qualidade dos cuidados de saúde materna em mães imigrantes e sua interação com os determinantes sociais da saúde.

Para a investigação foram recolhidos dados em todos os Hospitais de referência da área metropolitana do Porto e nas principais associações cívicas, para melhor alcançar a população-alvo: mães recentes imigrantes dos países com maior representação em Portugal (Brasil, países Africanos de língua oficial Portuguesa e países do Leste Europeu), bem como mulheres portuguesas (para comparação).

As principais conclusões desta investigação revelam que algumas populações migrantes estão em maior risco de complicações graves durante a gravidez, por razões que incluem acesso e utilização reduzida de serviços de saúde, bem como de assistência de menor qualidade, resultando numa maior incidência de resultados de saúde adversos.

Há, por isso, uma necessidade de mudar o foco da acessibilidade das mulheres imigrantes aos cuidados de saúde, que parece ser, em grande parte garantida em Portugal, para o assegurar a qualidade do atendimento. No entanto, essa mudança de foco deve ser realizada com precaução, considerando-se as mudanças sociais em curso na Europa, num contexto de crise económica (em alguns países o acesso dos migrantes à saúde foi, neste percurso, uma realidade perdida, tornando-se muito importante avaliar a aplicabilidade deste conceito). Especial atenção deve ser prestada às populações mais vulneráveis, a fim de melhorar a saúde.

Os dados sugerem ainda que a saúde depende não só da acessibilidade, mas especialmente das oportunidades sociais. Uma ação equitativa de saúde pública deve proporcionar aos indivíduos e grupos a igualdade de oportunidades para satisfazer as suas necessidades, que pode não ser alcançada através do fornecimento do mesmo tratamento padrão para todos.

Mesmo com cuidados de saúde tendencialmente gratuitos durante a gravidez, as mulheres imigrantes são mais propensas a vigilância pré-natal tardia ou ausente. Têm uma maior taxa de cesarianas e complicações intraparto. O desconhecimento sobre alguns aspetos e diferenças culturais e a comunicação insatisfatória com a equipa de saúde podem desempenhar um papel importante nestes resultados.

O estudo demonstra ainda que à medida a que experiências socioeconómicas individuais e subjetivas estão a atingir maiores impactos na saúde, esses fatores devem ser urgentemente integrados nos cuidados médicos, a fim de restabelecer a justiça social.


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