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Detalhes Na imprensa: Aos 21 anos, 18% dos jovens já agrediram namorado

Têm 21 anos. E o retrato generalizado que se segue vem com um aviso: não há um perfil, um padrão único. Porém, percebemos que quase todos têm uma relação íntima com alguém (namoro), conduzem um veículo motorizado correndo alguns riscos, bebem álcool frequentemente, quase metade destes jovens fuma regularmente e outro tanto já experimentou cannabis. Passado uma década do início do projecto Epiteen (Epidemiological Health Investigation of Teenagers in Porto), os resultados da terceira avaliação a cerca de 3000 adolescentes (de ambos os sexos e de escolas do Porto) nascidos em 1990 são apresentados hoje.

‘Há coisas boas e outras que merecem alguma atenção e preocupação. Mas a conclusão a retirar de muitos dos indicadores é que não podemos perder a oportunidade de intervir cedo porque há muitos comportamentos relacionados uns com os outros’, diz Elisabete Ramos, responsável pelo projecto Epiteen que quer ‘compreender de que forma os hábitos e comportamentos da adolescência se vão reflectir na saúde do adulto’.

De pequenino se torce o pepino, concorda a investigadora do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto (ISPUP) e do Departamento de Epidemiologia da Faculdade de Medicina da UP, notando que essa tendência se reflecte nos indicadores avaliados. Elisabete Ramos dá o exemplo dos dados obtidos no capítulo da violência onde se percebe que ‘os adolescentes que se envolveram em lutas física aos 17 anos apresentavam uma maior probabilidade de se envolverem em actos de violência no relacionamento íntimo aos 21 anos’. ‘Essa é uma das grandes mais-valias deste trabalho que acompanha estes jovens e assim conseguimos perceber a relação entre as coisas’, sublinha.

Os dados mostram que, aos 21 anos, 90% dos 2942 participantes no estudo referiram estar num relação íntima (maioritariamente numa relação de namoro). Destes, 60% reportaram pelo menos um acto definido como agressão psicológica e que, segundo os investigadores, passa por insultar ou dizer palavrões ao companheiro. Por outro lado, um em cada três dos jovens de 21 anos reportaram pelo menos um acto de coerção sexual como, por exemplo, forçar um companheiro a ter relações sexuais quando ele não queria (neste caso, as raparigas são mais vítimas enquanto os rapazes são mais agressores). E 18% referiram um acto de violência física na relação que mantinham, como, por exemplo, ‘bater no companheiro ou atirar um objecto com a intenção de o magoar’. ‘Mais de metade dos que se envolvem nestes comportamentos são simultaneamente vítimas e agressores’, adianta a investigadora.

‘É uma elevada percentagem de jovens que ainda numa fase de namoro já aceita este tipo de comportamentos violentos’, constata Elisabete Ramos, defendendo que estes resultados podem e devem servir para ‘programar prioridades de intervenção num trabalho em contexto escolar’. Mas, sublinha, ‘isso não quer dizer que seja tudo mau’. Na avaliação feita aos participantes há progressos. Há a boa notícia da diminuição da prevalência da obesidade, sobretudo se tivermos em conta que na última década este indicador aumentou de forma geral na população. Mas se olharmos para os consumos de álcool, voltamos a ficar preocupados. Aos 21 anos, 64% dos adolescentes referiram que já se tinham embriagado, sendo a média (entre estes) de sete vezes nos 12 meses anteriores. Aqui também há uma explicação: ‘Nesta média temos os que o fazem quase todos os fins-de-semana e os que o fizeram uma vez’, diz a investigadora.

O projecto começou no ano lectivo de 2003/2004 (quando os adolescentes tinham 13 anos). Estes adolescentes foram novamente avaliados aos 17 e agora aos 21 anos. A ideia é continuar a acompanhar estes jovens, mas também criar um novo grupo que permita mais e melhores comparações. ‘Vamos começar este ano lectivo a acompanhar um grupo de cerca de 2000 jovens nascidos em 2003, que agora completam 13 anos. Isso vai permitir perceber melhor o que mudou numa década’, diz Elisabete Ramos. Em cada avaliação, uma equipa de profissionais de saúde recolhe dados sobre comportamentos, efectuando medições objectivas (como a pressão arterial, o peso e a estatura, análises sanguíneas).

Andrea Cunha Freitas

Artigo completo disponível online.


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