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Detalhes Na imprensa: Propostas de candidatos para a saúde aquém do que era esperado - Jornal de Notícias
'Propostas de candidatos para a saúde aquém do que era esperado', in Jornal de Notícias, 12 de agosto
 
• A dois meses das eleições, quatro candidatos partilharam visão para melhoria da saúde pública
 
• Desafio foi lançado por ISPUP, cujo responsável defende que autarquias têm papel fundamental
 
Helena Teixeira da Silva*
 
O Instituto de Saúde Pública do Porto (ISPUP) desafiou os candidatos à Câmara a apresentarem propostas para a saúde (só Menezes não aceitou) e o JN desafiou o diretor do ISPUP a fazer o balanço do que ouviu.
 
A saúde preventiva não rende votos nas eleições autárquicas, pelo que o tema quase não é abordado nas campanhas eleitorais. Henrique Barros, professor catedrático e presidente do ISPUP, é o primeiro a reconhecê-lo - 'O que não se vê pode sempre ser adiado', lamenta -, pelo que essa foi uma das motivações para promover um ciclo de debates com quatro dos cinco candidatos à Câmara do Porto. A audiência a que os sujeitou no início o mês era especializada: médicos e cientistas.
 
'A saúde pública implica orientação política, é marcada ideologicamente, implica alocação de recursos, logo escolhas. Os autarcas têm neste processo um papel duplo, de conflito, porque têm de combinar decisões do poder central com o poder local'. Revelando que o ciclo pretendia'fazer alguma pedagogia junto dos políticos', o professor confessou ter também alguma curiosidade sobre o que ouviria. E, no fim, algum desapontamento. 'Todos os candidatos dão muito importância a questões a montante - organização de trânsito, reabilitação urbana, gestão de espaços públicos - mas não me parece que estejam conscientes da dimensão brutal em que vivem hoje as populações mais vulneráveis, nomeadamente as trabalhadoras do sexo, os sem abrigo, os dependentes de álcool, as crianças ou a enorme fatia de idosos'. Isso, insistiu, 'são fatores fundamentais de saúde pública'.
 
Na sua opinião, 'é importante que se compreenda que as autarquias têm de ter um papel supletivo das lacunas do Serviço Nacional de Saúde'. Os candidatos, afirmou, 'demonstraram entender o problema e ter boa vontade, mas a dois meses das eleições, as propostas ficaram aquém do esperado. O discurso é genérico quando é urgente ser concreto.'
 
Henrique Barros confrontou os candidatos com problemas graves da cidade, como a tuberculose 'que está a aumentar na proporção da desregularização da resposta' ou a violência interpessoais e financeira sobre idosos (cujo estudos indicam que o Porto é a cidade1 pior posicionada na Europa). 'Há consciência do problema, mas as respostas são vagas', repetiu. 'É preciso saber como responder'. Manuel Pizarro, avaliou, 'é o que tem propostas mais quantificadas', Rui Moreira e José Soeiro 'os que têm estratégia mais musculada' no que diz respeito à relação entre saúde e conhecimento, lacuna que aponta à autarquia. 'É preciso fazer políticas com base em estudos científicos e ninguém nos solicita os estudos dos nossos investigadores', criticou. 'A crise aumenta as patologias. Se não houver ação rápida e objetiva na saúde pública, alertou, 'as desigualdades e a violência vão aumentar. Podemos regredir muitos anos'.
 
PROBLEMAS
 
Tuberculose
A incidência de tuberculose no distrito do Porto é 60% superior à média nacional, com 36.7 casos por 100 mil pessoas, segundo dados da Direção-Geral de Saúde. É o dobro do que se verifica, por exemplo, no Distrito de Braga. Portugal é o único país da Europa a ter números de casos acima dos 20 por cada 100 mil pessoas.
 
Violência doméstica
O projeto internacional DOVE realizou um estudo para aferir a violência entre parceiros íntimos na população adulta (18-64 anos). No que diz respeito ao Porto, 54.1% das mulheres afirmaram ter sido vítimas de agressão psicológica nos últimos doze meses; 24.5% afirmou ter sofrido coação sexual, 8.5% reportaram algum ato de violência física e 3.3% mencionaram lesões decorrentes de violência.
 
Violência contra idosos
O projeto internacional Abuel estudou a violência contra pessoas entre os 60 e os 84 anos. No Porto, a proporção de idosos que disse ter sido vitima de violência financeira (roubos, extorsão, burla, etc.) é de 6.6% nas mulheres e 9,6% nos homens.
 
Sinistralidade
'O Porto tem mais de mil vítimas por ano em acidentes viários. Nos últimos 12 anos, morreram mais de 120 pessoas', o que significa mais de dez mortes na estrada por ano. Os dados foram mencionados por José Soeiro no debate.
 
Envelhecimento
No Porto, há 55 mil idosos (quase um terço da população), 60% dos quais moram sozinhos. De acordo com os dados dos Censos 2011, em 20 anos, a cidade perdeu 65 mil habitantes (passando de 312 para 237 mil habitantes) e ganhou 11 mil idosos. A freguesia mais envelhecida é a de Vitória e, por oposição, as menos envelhecidas são as de Ramalde e Bonfim.
 
O QUE DIZEM OS CINCO CANDIDATOS
 
José Soeiro Bloco de Esquerda
IMPEDIR QUE ÁGUA SEJA CORTADA À POPULAÇÃO

 
José Soeiro defende 'uma visão integrada da saúde pública', o que implica, explicou, 'pensar a saúde de forma transversal às políticas para o território e às escolhas da política económica'. 0 candidato do Bloco de Esquerda considera que 'a austeridade é uma ameaça para a saúde' e afirmou que 'o processo de empobrecimento associado ao aumento das taxas moderadoras e à diminuição de acesso aos transportes públicos é uma combinação explosiva'. Neste sentido, Soeiro defende a intervenção no âmbito da habitação 'para acabar com os despejos', o impedimento camarário do corte da água e eletricidade às famílias mais carenciadas através da renegociação das suas dívidas, o apoio a medicamentos, a promoção do pequeno-almoço nas escolas ('no Porto, a diminuição do consumo de leite é muito preocupante', referiu) e a recuperação dos utentes dos transportes públicos, nomeadamente os idosos.
 
Manuel Pizarro
PS

 
ACABAR COM CÁRIE DENTÁRIA EM CRIANÇAS
 
Manuel Pizarro quer operar uma mudança na saúde que tenha 'impacto na próxima década', pelo que defende 'um grande programa de educação para a saúde' em seis áreas: nutrição e alimentação (a começar pelas escolas), atividade física e desporto, saúda oral ('Quero acabar com a cárie dentária de todas as crianças da cidade, cerca de 2200, até 2020'), comportamentos aditivos, sexualidade e suporte básico de saúde. O candidato socialista, que é médico, ambiciona que todas as crianças até ao 9. ano sejam capazes de saber salvar alguém. 'É a marca de uma cidade de gente educada para a saúde', sustentou. Manuel Pizarro defende ainda a 'utilização da evidência científica nas medidas políticas', ou seja, intervir só depois de estudar a realidade, e a respetiva 'avaliação por uma entidade autónoma'. É um programa 'revolucionário' capaz de 'mobilizar a cidade para a criação de uma geração saudável.'
 
Pedro Carvalho
CDU

 
INVESTIR 50% DO ORÇAMENTO NOS BAIRROS
 
Pedro Carvalho elencou sete prioridades para a atuação da Câmara no âmbito da saúde pública.. Na lógica de planeamento da cidade, defende 'a existência de corredores verdes, como forma de ligar a malha urbana e promover as acessibilidades'. Na habitação, o candidato comunista considera que é preciso 'garantir que 50% do investimento municipal será aplicado na requalificação dos bairros sociais'. Na questão do ambiente, a proposta passa por 'modificar o perfil viário da Circunvalação e da VCI, para reduzir o ruído e a poluição atmosférica'. Pedro Carvalho defende ainda a 'promoção da ocupação dos tempos livres de forma sadia, ao nível do desporto, do recreio e da cultura', a promoção de campanhas de saúde pública e a criação de equipas multidisciplinares a quem caberá 'acompanhar no terreno, os agregados familiares dos bairros sociais, no sentido da integração e reinserção social'.
 
Rui Moreira
Independente

 
REGULAR A SEGURANÇA SOBRETUDO RODOVIÁRIA
 
Rui Moreira divide as suas preocupações com a saúde pública em três níveis: o tradicional (toxicodependência, alcoolismo e tabagismo, para os quais defende um trabalho mais apurado de pedagogia nas escolas), o pontual (aumento da tuberculose, propondo a protocolar o transporte dos doentes) e o constante, como a segurança rodoviária ea alimentação das escolas. 'O nível de sínistralidade, sobretudo por atropelamento, é muito preocupante', afirmou. O independente tem um programa vasto para este tema, que passa, por exemplo, por 'reduzir sentidos únicos, regular a velocidade máxima dos autocarros ou alargar o horário noturno dos transportes públicos.' Em relação a alimentação nas escolas, Rui Moreira reconhece que os 2,5 milhões que a autarquia gasta por ano 'são insuficientes', pelo que pretende contratual izar com as IPSS 'uma alimentação melhor e mais adequada às crianças'.
 
Luís Filipe Menezes
PSD

 
VACINAÇÃO GRÁTIS DAS CRIANÇAS E APOIO A IDOSOS
 
Menezes defende que 'uma grande cidade pode e deve preencher competências em que o Estado está a alienar responsabilidades', como na saúde: por razões 'ideológicas' e de 'competitividade na atração de novos habitantes, de turistas e de investidores'. Assim, preconiza oito medidas: 'exercer o ministério de influência' para a rápida abertura do Centro de Saúde Materno Infantil e do Centro de Reabilitação do Norte, além da localização no Grande Porto do polo da região norte de Turismo de Saúde e do alargamento da rede de cuidados continuados: vacinação gratuita das crianças: saúde oral e tratamento da obesidade no ensino básico: generalização do apoio domiciliário a todos os idosos acamados; criação do serviço Porto Amigo para pequenos serviços e cuidados de saúde menor; e negociação para a transferência progressiva para a Autarquia da rede de cuidados de saúde primários.

HERMANA CRUZ 


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